A  Lua

A Lua é um satélite natural da Terra, que completa uma volta ao redor de nosso planeta a cada 27 dias, 7 horas e 43 minutos, em seu período sideral. Ela mantém uma distância média da Terra de 384.320 km (356.400 km no perigeu e 406.600 km no apogeu). 
Como seu tempo de rotação ao redor do próprio eixo é exatamente igual ao seu período de translação em torno da Terra, um observador postado em nosso planeta acaba vendo sempre a mesma face da Lua voltada para si. O máximo da superfície dela que fica visível da Terra corresponde a cerca de 59% da sua superfície total. Para uma pessoa que vivesse na Lua as noites durariam o equivalente a 14 dias terrestres. Devido à falta de atmosfera, seria impossível ouvir sons e o céu apareceria sempre negro, com as temperaturas oscilando entre -180 a 130 graus Celsius (dependendo do local e do momento).

 O seu movimento ao redor da Terra determina também as suas fases, que são: lua nova, lua cheia, quarto crescente e quarto minguante. Na fase de nova, por exemplo, a Lua está posicionada entre o Sol e a Terra (geralmente não no mesmo plano, pois quando está proporciona um eclipse), o que acaba fazendo com que seu lado visível esteja escuro, sem incidência de luz do Sol. Não existe um lado da Lua que esteja sempre no escuro. O que existe é uma face que está sempre oculta para um observador da Terra, mas que recebe luz do Sol no período de lua nova.

É importante observarmos também que a Lua é a principal responsável pelo fenômeno das marés, observado nos oceanos terrestres. A maré é o movimento regular e periódico verificado nas águas dos mares, nas quais o nível varia constantemente durante o dia. O efeito é originado pela atração gravitacional da Lua e do Sol sobre as massas líquidas do planeta Terra, que se deformam de acordo com a posição relativa dos dois astros. Como a Lua está muito mais próxima da Terra do que o Sol, mesmo possuindo massa menor, é ela a principal responsável pelo efeito.

O Solo Lunar

Como não possui atmosfera significativa, sua superfície é bem marcada pelo impacto direto de meteoritos e sujeita à radiações diretas provenientes do espaço. A falta de atmosfera também provoca amplitudes térmicas elevadas. Não existem atividades geofísicas relevantes; estima-se que um período de atividade vulcânica intensa tenha se encerrado a cerca de dois milhões de anos atrás. 

As sondas das séries Lunik, Ranger, Zond e as missões Apollo (tripuladas) aumentaram os conhecimentos sobre a Lua, durante os anos entre 1959 e 1976. As amostras de solo e rochas coletadas para um estudo mais apurado apontaram idade estimada em 4,6 bilhões de anos. Essas amostras não contêm praticamente nenhuma quantidade de água ou óxido de ferro, o que demonstra que nem água nem oxigênio livre deviam estar presentes quando se formaram, num passado distante. Também não foi detectada a existência de um campo magnético global, embora se tenha evidências de que o satélite possua um fraco campo magnético localizado. Apesar da intensiva investigação promovida pelas diversas missões lunares, não foi encontrado nenhum sinal da existência de organismos vivos na Lua, nem mesmo na forma fóssil. Essa foi uma razão para que se eliminasse, a partir da Apollo 14, o período de quarentena a que eram submetidos todos os astronautas que retornavam de lá, pois temia-se uma contaminação provocada por um eventual organismo que pudesse ser trazido com eles para a Terra. 

Em 1994 a sonda Clementine mostrou que haviam sinais de hidrogênio no solo. Depois, em 1998 a sonda Lunar Prospector viu indícios de
água em forma de gelo em pequenas quantidades, depositada em várias crateras dos pólos lunares, proveniente da queda de cometas. Depois, outras missões pareceram confirmar que isso de fato ocorre lá: o choque poposital do foguete Centaur em 2009 contra o solo do pólo sul levantou partículas analisadas pela sonda Lcross, que mostra a existência de água naquele ponto

Atualmente, vários países estudam retomar as missões tripuladas para a Lua num futuro próximo. É provável que isso abra caminho para o velho projeto de construção de base permanente habitada em solo lunar. Os americanos possuem um novo plano para construir uma estação fixa lá em 2020, mas o plano ainda esbarra no problema de verba. Seria preciso viabilizar a construção de uma nova cápsula adequada as viagens tripuladas (que não são feitas desde 1972) e um foguete potente como os antigos Saturn (poderiam ser os da classe Ares I e II).

                                                                         


   Leia mais: Apollo 11 na Lua    Lua Wikipedia
    
          Leia abaixo o excelente texto que lista algumas das obras clássicas que tiveram a Lua como tema...

"Poetas, visionários e autores de ficção tiveram há séculos o sonho de viajar ao nosso vizinho cósmico mais próximo"

                                              By MICHAEL DIRDA ( The Washington Post )

 
      Peçam aos estudantes para citar o nome do primeiro ser humano a ir à Lua e a maioria deles, esperamos, provavelmente responderá: Neil Armstrong. Mas alguns poderão dizer: Cyrano de Bergerac ou dr. Dolittle. Afinal, poetas, visionários e autores de ficção científica tiveram há séculos o sonho de viajar ao nosso vizinho cósmico mais próximo.
O problema, sem dúvida, é como chegar até lá. Durante séculos, os lunáticos apresentaram um número surpreendente de métodos para conseguir o lançamento. Aqui vão, em contagem regressiva, alguns dos mais interessantes:
 
10 – A Verdadeira História (The True Story), de Luciano de Samosata (ano 120-200, aproximadamente). Logo no início, o autor anuncia, com uma espécie de ousadia pós-moderna, que tudo o que ele está para dizer é mentira. Depois de várias aventuras marítimas além das colunas de Hércules, isto é, além do Estreito de Gibraltar e mares conhecidos, Luciano e seus companheiros navegam em meio a um grande redemoinho, que virou nosso navio e nos levantou a cerca de 3 mil furlongs (aproximadamente 600 mil metros) nos ares e nós alçamos vôo.
Uma semana depois, vimos um grande país no ar, como uma ilha brilhante. Certamente, não se trata de Oz, mas da Lua, e ali o grupo visionário encontra pela primeira vez os hipogipianos, homens lunares que cavalgam em abutres gigantescos, e depois sua soberana, Endimion, que estava prestes a travar guerra com o Reino do Sol (este perde a guerra). Acontece que os selenitas - em grego Selene significa a deusa Lua - são todos homens: os filhos "brotam" da perna de um adulto. Quando chega a hora de morrer, um selenita idoso simplesmente se dissolve no ar.
 
9 – Paraíso (Paradiso), de Dante Alighieri (1265-1321). Nos cantos de abertura, Dante deixa a montanha do purgatório e começa sua ascensão para o céu, passando primeiramente pela esfera da Lua. Como aconteceu isso? A guia de Dante, a amada Beatriz, explica que nossa pecaminosa natureza animal nos puxa para a Terra. Mas, como a alma de Dante foi purificada, ele pode flutuar naturalmente para o alto.
 
8 – Somnium, de Johannes Kepler (1571-1630). Como um Carl Sagan da Renascença, esse famoso astrônomo alemão decidiu partir para a ficção no fim de sua vida. No sonho de Kepler, um jovem cientista, chamado Duracotus, vem a saber que sua mãe, meio bruxa, tem poder para convocar os demônios lunares que podem transportar um ser humano até a Lua. Ao chegar lá, Duracotus examina um mundo parecido com o Parque dos Dinossauros, habitado por enormes criaturas parecidas com sáurios e serpentes.
 
7 – The Man in the Moon ou A Discourse of a Voyage Thither, de Francis Goodwin (1562-1633). O herói desse conto, do tipo de As Mil e Uma Noites, é um espanhol chamado Domingo Gonsales, que fica isolado numa ilha desconhecida, onde descobre os "gansas", espécie de cisnes selvagens. Ele amansa um enorme rebanho deles e depois os atrela a uma máquina voadora, fabricada por ele próprio. Tudo vai bem até o momento em que os "gansas" decidem que chegou a hora de migrar... para a Lua. Lá, Gonsales visita uma espécie de Utopia da Renascença. Os habitantes vivem milhares de anos. Todas as feridas podem ser curadas: até mesmo a cabeça de um homem pode ser recolocada no corpo com a ajuda do suco de uma certa erva que ali cresce.
 
6 – Voyages to the Moon and the Sun, de Cyrano de Bergerac (1619-1655). Sim, esse tal Cyrano, o cara com aquele narigão... Essas duas viagens podem ser consideradas como paródias da viagem cósmica, um gênero de ficção popular no século 17, porque a nova astronomia de Brahe, Kepler e Galileu tinha dado origem a muita especulação a respeito da pluralidade dos mundos e da possibilidade de eles serem habitados. Os que se lembram da peça de Edmond Rostand a respeito de Cyrano se recordarão da descrição que ele faz dos vários métodos imaginados para a viagem espacial. Meu método favorito: Cyrano raciocina que, como o Sol suga ou dissipa o orvalho, a gente deveria poder subir prendendo recipientes cheios de orvalho ao próprio corpo.
Com certeza nosso herói sobe como um foguete ao espaço, mas, quando passa pela Lua, começa a entrar em pânico, quebrando os recipientes na esperança de pousar com segurança em sua superfície. Infelizmente, ele cai , estraçalhando-se na Terra. Outra técnica aeronáutica, digna de Wile E. Coyote, envolve uma mola gigantesca e foguetes. Quando Cyrano eventualmente atinge a Lua, não encontra ninguém, a não ser Domingo Gonsales, que se torna seu guia. Os habitantes lunares de Cyrano são filósofos que, entre outras coisas, discutem entre si se o visitante de fora pode ser um humano.
 
5 – The Unparalleled Adventure of One Hans Pfaal, de Edgar Allan Poe (1809-1849). Um balão, aparentemente feito de jornais velhos, aparece sobre Roterdã. De sua gôndola, um estranho anão joga uma carta, que explica como Hans Pfaal, um consertador de foles, fabricou um gás especial e com ele viajou de balão para o espaço. Grande parte da história é um "techno-thriller" do século 19, que se concentra nos vários instrumentos de Hans Pfaal e apresenta hipóteses científicas e imagina aventuras. Poe descreve com vivacidade a aparência da Terra vista do espaço.
O balão de Pfaal cai no campo de gravidade da Lua e ele encontra os anões que a habitam, mora com eles durante cinco anos e descobre que cada indivíduo lunar está psiquicamente ligado a uma pessoa da Terra. Infelizmente, Poe termina sua história revelando que foi tudo uma farsa perpetrada por Pfaal para conseguir o perdão de suas numerosas dívidas.
 
4 – From the Earth to the Moon e Round the Moon, de Júlio Verne (1828-1905). Fundador da ficção científica moderna, Verne cria uma história ligeiramente cômica em torno da construção de um imenso canhão para disparar um foguete à Lua. O Baltimore Gun Club, um grupo de veteranos da Guerra Civil, constrói o Columbiad, um canhão de cerca de 900 pés de comprimento na Flórida, apenas 220 quilômetros do local onde hoje é o Cabo Canaveral. Os planos originais mudam um pouco quando o clube recebe um telegrama de um aventureiro francês: Substituam a concha esférica por um projétil cilindro-cônico. Eu estarei dentro quando a nave partir.
Eventualmente, a espaçonave é redesenhada para abrigar três homens, com dois cachorros, um dos quais morre no momento em que a rajada explosiva é lançada ao espaço, onde seu corpo se torna um satélite em torno da nave, parecida com uma bala. Por causa de certas forças imprevistas, os homens da Terra meramente giram em torno da Lua, cuja superfície examinam bem de perto, concluindo que, apesar da presença de água e atmosfera, ela é inabitável. Depois, caem de novo na Terra.
 
3 – The First Men in the Moon, de H. G. Wells (1866-1946). Verne disse certa vez que era muito mais cientista do que Wells. Afinal, o canhão de Verne é uma tecnologia plausível de lançamento. Ao contrário, a espaçonave de Wells é movida por um elemento imaginário, chamado Cavorita, que... impede que os objetos gravitem uns em direção aos outros. Por esse meio fantástico, dois exploradores viajam à Lua, onde são capturados por uma raça subterrânea de selenitas parecidos com insetos. Um deles volta à Terra. O outro fica na Lua, onde é apresentado ao Grande Lunar - um enorme cérebro sobre um corpo pequeno e mirrado.
 
2 – Rogue Moon, de Algis Budrys (nascido em 1931). Esse romance curto e brilhante pode representar a moderna ficção científica ambientada na Lua, embora possamos também optar pelo romance de mistério A Fall of Moondust, de Arthur C. Clarke, ou pela fantasia libertária de Robert A. Heinlein, The Moon is a Harsh Mistress. Na história de Budrys, os cientistas descobrem um artefato estranho na superfície lunar, uma espécie de labirinto destinado a matar qualquer pessoa que nele entrar. Os voluntários tentam navegar por esse labirinto, mas todos são apanhados pelas defesas extraterrestres.
Por meio do uso de duplicação de matéria, um anti-herói pode entrar no labirinto, ser morto, aprender algo de seus segredos e depois ser reduplicado novamente, uma e muitas vezes. Cada uma de suas vidas vai penetrando mais fundo nos segredos do artefato. O resultado é uma aventura empolgante, um rito de passagem e uma tocante história de amor. Na história semelhante de Clarke, The Sentinel, a humanidade descobre na Lua um objeto que é uma espécie de sistema de advertência prévia distante, que alerta certa civilização extraterrestre de que a humanidade finalmente descobriu o espaço.
 
1 – Destination Moon (1950). Em 1902, George Mellies produziu o primeiro filme de ficção científica, A Trip to the Moon, baseado vagamente em Verne. Em 1950, George Pal refilmou esse pseudodocumentário a respeito da primeira viagem do homem à Lua. Em 1968, Stanley Kubrick lançou o clássico 2001: Uma Odisséia no Espaço, um marco dos filmes de ficção científica.

  Leia mais: Apollo 11 na Lua

 



   
1997/2018 © Luis Fábio S. Pucci, Instituto Galileo Galilei, São Paulo, SP. 
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