Sala Ambiente - Implementando para valer!

 Orientação: Implementação de Sala Ambiente

Publicação: 2001, Oficina Pedagógica da Diretoria de Ensino Centro-Oeste, São Paulo, SP

Luis Fábio Simões Pucci  

 

     Estas orientações foram baseadas nas experiências de algumas das escolas da Diretoria que já implementaram com sucesso o sistema, além de material da SE-SP (CENP, 1997) e do Conselho de Educação da Califórnia (EUA). Não é uma lei - são apenas indicações técnicas, pedagógicas e administrativas que facilitarão a transição do modelo tradicional para o ambientado. Em SP essa organização começou a ganhar mais forma com os antigos CEFAMs (Centros de Formação do Magistério).

Aproveito para observar que as escolas de ensino médio e fundamental norte-americanas (high-school / junior high-school) utilizam o sistema de sala ambiente como seu padrão há muitas décadas. Hoje, o sistema também está bem difundido também, por exemplo, nas escolas públicas da França. No Estado de São Paulo, inúmeras escolas vêm adotando essa organização desde a década de 1970, com especial incremento dado nos anos 1990 devido aos CEFAMs e ao apoio dado pela própria Secretaria da Educação-SP. Entretanto, nas últimas gestões, essa prática não foi mais apoiada diretamente, pois o próprio esquema de atribuição de aulas voltou a ser feito em cima da hora, em fevereiro, dificultando a organização e planejamento por parte dos diretores (essa ação deveria ser feita em dezembro do ano anterior, para dar tempo de cada escola elaborar seu calendário, organizar seus espaços, ações e planos curriculares, já conhecendo os profissionais que terá nos seus quadros).

Atualmente (2011/2012), as novas Escolas de Tempo Integral da SEE-SP vêm adotando essa organização para o ensino médio. A lista de escolas integrais pode ser obtida no site www.see.sp.gov.br
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A experiência das escolas que já convivem com o sistema deixa claro que a implementação do sistema de sala ambiente deve ser feita de preferência no início do ano letivo, desde o primeiro dia de aula com os alunos.

Assim, evitam-se as confusões causadas pelo fato de transitar do ''dia para a noite'' de um sistema para outro, pois eles têm condições físicas e pedagógicas muito diferentes.

Se não for possível colocar as salas e o horário definitivo antes do primeiro dia de aula, é preferível definir, mesmo que provisoriamente, uma sala para cada professor durante os primeiros dias. Se for necessário escalar um horário diferente a cada dia, tudo bem. Pelo menos evita-se a transição entre dois sistemas, como ressaltado acima. Muitas vezes o processo de atribuição é citado como sendo um dificultador da implementação das salas, mas a direção da escola deve ter claro que o número de classes para aquele ano já está definido bem antes, e com base nele e na grade curricular já se pode pré-definir quais serão as salas de cada disciplina. Veja:

_ A sala ambiente favorece (e pede) a mudança de metodologia de ensino. Assim, é bom considerar isso no planejamento pedagógico de início de ano. Isso inclui os projetos interdisciplinares;

_ O normal é programar dois sinais sonoros, com intervalos de 3 a 5 minutos entre eles. No primeiro, finaliza-se a aula em curso e os alunos iniciam a troca de sala (trânsito). No segundo, inicia-se a nova aula e encerra-se a tolerância com o trânsito. Com o uso do segundo sinal, pode-se combinar as regras para coibir atrasos por parte dos alunos nas trocas de sala. Por isso, ele é fundamental para dar os parâmetros para alunos e professores.

_ Com sala ambiente, mudam os papéis e responsabilidades de cada um dentro da escola. Os alunos devem ser orientados com clareza de horários e regras, especialmente os alunos que estão ingressando na unidade escolar e não estão acostumados com o sistema. Veja alguns pontos importantes que dizem respeito às tarefas ou responsabilidades de alguns integrantes do quadro de funcionários da escola:

 

Direção e Coordenação

_ Primeiro, é bom visitar outras escolas da região que já implementaram com sucesso o sistema. Assim, conversando com os colegas, saberemos de antemão o que devemos fazer e que problemas teremos no início do processo. Lembre-se: isso chama-se know-how, e empresas e escolas particulares pagam (e caro) para ter isso para os consultores de plantão. Na escola pública, temos a chance de conseguir isso de graça, com o apoio dos colegas que já viveram essa experiência (e isso vale também para implementação de grêmios, salas de informática, etc);

_ Providenciar a numeração das salas, providenciando placas, decalques ou pintura;

_ Providenciar um painel de chaves, com uma cópia de cada chave de porta, seguindo a numeração adotada. Os professores usarão estas chaves para abrir e fechar suas salas (inclusive nos intervalos – recreio). No final do período, os professores devolvem suas chaves para a posição correta no painel;

_ Afixar o horário com o número das salas em vários locais estratégicos da escola, facilitando a consulta pelo aluno e evitando que eles fiquem perdidos pelos pátios ou corredores da escola em cada troca de sala dele (aluno);

_ Procurar transferir (ou comprar, quando necessário) o material pedagógico disponível de cada disciplina para dentro das salas ambientes correspondentes. Isso inclui, entre outras coisas: mapas, livros, dicionários, livros do PNLD, armários, estantes, murais, kits de experimentos, etc. Essa tarefa pode ser combinada entre os colegas de cada disciplina e a coordenação. Lembrar que a sala não é propriedade de um determinado professor apenas;

_ Orientar claramente alunos, professores e inspetores sobre seus papéis – e cobrar, sim, responsabilidades quando necessário;

 
Professores

_ Devolver a chave de sua sala no fim de seu período, colocando-a de volta no painel;

_ Zelar pela limpeza e pelo patrimônio de sua sala. O professor deve combinar com os colegas e com a direção quais as regras que todos devem seguir para evitar que o professor do período seguinte ao seu pegue uma sala suja e desarrumada;

Esta é uma das tarefas cruciais. Sem este acerto, o sistema não vai funcionar. Por outro lado, aqui reside uma das virtudes do novo sistema. No outro sistema, os professores se acostumaram a não ligar para o que acontece com cada sala, já que havia a troca constante entre os professores. Ninguém assumia a responsabilidade por danos ao patrimônio ou problemas de indisciplina. Agora, cada um terá que assumir um papel ativo nisso;

_ Abrir e fechar sua sala nos momentos combinados. Exemplo: nos intervalos (recreio) a sala também não deve ficar aberta;

 

Inspetores/Agentes escolares

_ Controlar (abrir, fechar, orientar) os acessos entre os sinais e durante os demais períodos. A escola deve deixar cópias das chaves de cada sala disponíveis para os inspetores usarem quando for preciso;

_ Zelar pelos corredores, pátios e áreas comuns da escola;

_ Fechar e/ou controlar o acesso (portas) após o segundo sinal de troca de salas;

_ Em aulas vagas (falta de professor), os alunos não devem ficar sozinhos numa sala equipada. Caberá ao inspetor orientar para que eles permaneçam no pátio da escola, numa sala de estudos, grêmio ou biblioteca. A integridade do espaço físico e dos materiais está em jogo. Aqui não vale a regra comum usada no outro sistema, de salas fixas. A sala é uma sala de aula, não uma sala de espera;

    Lembre-se: pequenos detalhes podem prejudicar a implementação do sistema. Por isso a conversa com outras escolas é importante. Mas também, é preciso paciência para que todos se acostumem e possam ir lapidando o processo ao longo do ano. Não desista da idéia por conta dos eventuais primeiros problemas. Toda a mudança pedagógica e estrutural pede planejamento, empenho e dedicação.

 Para saber mais: São Paulo - Secretaria da Educação. Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas. Sala ambiente: o ensino de cara nova. São Paulo: CENP, 1997.

Artigo: Sala Ambiente - o Espaço do Ensino Médio

 



   
1997/2018 © Luis Fábio S. Pucci, Instituto Galileo Galilei, São Paulo, SP. 
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